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FÓRUM DEMOCRÁTICO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Fórum Democrático aborda em seminário projetos educacionais voltados para as pessoas idosas
Francis Maia - MTE 5130 - 12:55 - 09/09/2022 - Foto: Reprodução Fotografia / ALRS
O Fórum Democrático promoveu na manhã desta sexta-feira (9) mais um seminário do Grupo Executivo de Acompanhamento de Debates (GEAD) Saúde, Educação, Cultura e Envelhecimento Ativo e Saudável, que abordou o tema Educação e Envelhecimento, reunindo três autoridades acadêmicas que atuam na formação e promoção de oficinas voltadas para as pessoas idosas. Entre os projetos apresentados, a Universidade Aberta para Pessoas Idosas, UNAPI, da UFRGS. De Pelotas, foi apresentado projeto que promove prevenção ao idadismo - preconceito contra a pessoa idosa - voltado para crianças e adolescentes nas escolas do município. E estudo acadêmico que apura o distanciamento entre os equipamentos culturais e as limitações desse grupo humano, que é o que mais cresce no Rio Grande do Sul.  

O coordenador Lélio Falcão informou que circulará em breve a segunda edição do jornal Maturidade, e discorreu sobre a importância do voto das pessoas com 60 anos ou mais nas eleições gerais deste ano. Também destacou reunião no Chile, em outubro, da CEPAL, órgão da ONU, sobre Madri + 20 para avaliar o plano mundial de envelhecimento e o que se espera para os próximos 20 anos e a construção de políticas públicas. 

Combate ao idadismo
A assistente social no Centro Social Filadélfia Pelotas e pós-graduanda em Gerontologia,  Heloisa da Silva Mota, abordou o tema “Intergeracionalidade e prevenção ao idadismo nas escolas”. Buscando cumprir os preceitos contidos no Estatuto da Pessoa Idosa, como a inclusão nos currículos de conteúdos sobre o processo de envelhecimento, respeito e valorização dos idosos, contribuindo para dirimir preconceitos, o projeto Reconhecer e Valorizar, em Pelotas, tem o propósito de promover a formação de crianças e adolescentes para a prevenção de atitudes contra os idosos e para que não pratiquem o idadismo, definido como o comportamento negativo em relação às pessoas baseado na sua idade, causando sua invisibilidade. "Esse público foi escolhido porque muitos são criados e vivem com os avós", explicou. 

Com 29 milhões de pessoas acima de 60 anos no país, conforme o IBGE, e projeção de aumento acelerado dessa população, o Conselho Municipal da Pessoa Idosa de Pelotas desenvolveu o projeto, que é recente mas alcançou mais de 50 crianças e jovens da 5ª série do Ensino Fundamental. Uma das ferramentas utilizadas é o calendário anual contendo informações sobre a violência contra as pessoas idosas e os telefones de urgência para os pedidos de ajuda. “O calendário é uma ferramenta cultural, as pessoas idosas costumam se guiar por esse informativo de datas, e por isso está sendo utilizado como ferramenta cultural”, observou Heloísa Mota. 

Acessibilidade cultural 
Outra intervenção foi do  mestre em Indústrias Criativas, doutorando em Design e Tecnologia - PGDesign/UFRGS, professor universitário e cofundador da CICLOS 50+, Cristiano Cunha, que mostrou pesquisa sobre a experiência desse público idoso em museus e as dificuldades de acessibilidade comunicacional, além dos impedimentos de acesso físico a esses locais. A redução do campo visual é uma das limitações funcionais da pessoa idosa com predominância em 10% dos 29 milhões de idosos do país, o que exige a transposição das barreiras sensoriais e comunicacionais dos ambientes culturais. Ele explicou que na acessibilidade cultural as barreiras estão apontadas como físicas, que são os espaçamentos e rampas de acesso, as barreiras sensoriais, que são as comunicacionais, e barreiras atitudinais, os preconceitos e a estigmatização.

Na sua pesquisa, tratou dos limites sensoriais dos espaços em museus e estudou a abordagem de linguagem simples, que vem a ser a leitura compreensível dos conteúdos informativos das obras, a legibilidade, traduzida no design apresentado para a leitura, e a tipografia, que é a forma das letras utilizadas. Seguem-se outros detalhes, como o distanciamento entre leitor e texto e a luminosidade do ambiente, fatores que influenciam na leitura. Ricardo Cunha usou como exemplo a exposição de 2019 em São Paulo, da pintora Tarsila do Amaral, cujo texto de apresentação não correspondia aos preceitos da linguagem simples. Ele refez o mesmo texto e na linguagem simplificada obteve uma redução do conteúdo, sem prejudicar as informações e oferecendo design adequado para a leitura de pessoas idosas. O professor enfatizou outro projeto, o Ciclo 50+, que proporciona vivência e bem-estar físico e profissional, com oferta de seminários com viés cultural para esse público, com disciplinas como cinema, música, literatura, ensino digital, filosofia, fotografia e cultura contemporânea. 

Universidade Aberta para Pessoas Idosas 
A professora titular do Instituto de Psicologia da UFRGS, doutora em Informática na Educação e mestre em Ciência da Computação, com atuação na Universidade Aberta para Pessoas Idosas(UNAPI) da UFRGS, Mára Lúcia Fernandes Carneiro, exibiu o projeto que desde 2018 está em curso, direcionado para o suporte e orientações sobre o uso das tecnologias na educação. 

A UNAPI é um projeto de Extensão da UFRGS e envolve a educação continuada, a intergeracionalidade, alunos de graduação, e formação de recursos humanos em envelhecimento através de cursos de formação para alunos e professores. Alunos bolsistas de áreas como psicologia, fonoaudiologia, informática e letras colaboram nas atividades. O projeto teve início no Instituto de Psicologia, com encontros presenciais na FABICO e os grupos eram divididos por temas de interesse, com incentivo do autogerenciamento, mas a experiência identificou as diferenças sociais e dificuldades de acesso aos eventos, como cinemas, resultando no direcionamento para ações no cinema da universidade, com filmes gratuitos. 

Em 2018 a Pró-Reitoria de Extensão assumiu a UNAPI como projeto institucional para ampliar as ações com maior respaldo da universidade, facilitando o acesso das pessoas idosas. Mára Lúcia referiu as dificuldades iniciais, em 2010, quando o acesso à internet era difícil e a funcionalidade dos celulares e outros equipamentos repercutiam no ensino a distância. Uma década depois, a pandemia acelerou a convivência online e também a UNAPI se adaptou à tecnologia e passou a oferecer oficinas sobre uso de aplicativos, como Whatsapp, gerenciar a lista de contatos - muitos idosos referiram a morte de amigos e dificuldades em excluir os nomes dos contatos -; uso do Google Maps e Google Meet, além de outras ferramentas. Uma das novidades foi a abertura do espaço para grupos de idosos de outras cidades e até mesmo outros estados do país, ampliando o alcance dos conteúdos oferecidos. 

Transmissão ao vivo
Com transmissão ao vivo pela TV Assembleia, a reunião foi realizada na Sala da Convergência Adão Pretto, no térreo do Palácio Farroupilha, com a presença dos palestrantes e presidido pelo coordenador do Forum, Lélio Falcão, acompanhado da promotora cultural Izabel L’Aryan.
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